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ENERGIA ESPECIAL

A conscientização da deficiência, a valorização de si mesmo e a inserção no meio social, são requisitos fundamentais para o deficiente viver bem. Evidentemente, isso não é novidade para ninguém.

Minha experiência como membro do movimento Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes - FCD, há anos atrás, levou-me à um patamar surpreendente e maravilhoso. Quando fui convidado a participar do movimento, vacilei muito, pois me sentia constrangido em contato com outros "chumbados", mesmo sendo um deles. Entretanto, com o tempo fui me enturmando, assumindo cargos no grupo, conquistando muitas amizades, viajando prá lá e prá cá, participando dos diversos encontros que aconteciam, e quase que sem perceber eu crescia interiormente; uma "força estranha" me empurrava cada vez mais para frente. Lembro-me que quando arranjei a primeira namorada, uma deficiente do meu grupo, me senti como uma criança que acabava de ganhar seu presente de Natal; e olha que eu já tinha meus trinta e tantos anos de idade.

Inclusive, juntamente com alguns amigos da FCD, cheguei a fazer até um programa de rádio, em FM, para divulgar o movimento dos "chumbados".

Permaneci 10 anos na FCD, e isso me ajudou muito, pois saí da obscuridade em que todos os deficientes viveram ou vivem, diante da não aceitação de suas deficiências, do isolamento e tantos outros "grilos", e parti para uma realidade diferente, aproveitando ao máximo o que "sobrou" de mim. Nessa convivência entre bengalas, cadeiras de rodas, muletas, macas, etc., acabei conhecendo a mulher da minha vida. Eu a conheci em 1986, na cidade de Vinhedo, num encontro da FCD, mas começamos a namorar no final do ano de 1990, num outro encontro, desta vez em Ourinhos. Em abril do ano seguinte, nos casamos. E assim, deixei minha cidade natal (Santa Bárbara d'Oeste), e a FCD, e vim fixar residência em Botucatu.

Sou paraplégico e ando com auxílio de uma bengala, e minha esposa é deficiente também, com seqüela de pólio, anda com bengalas canadenses. Juntos já fomos diretores de uma entidade assistencial de deficientes físicos, e hoje somos voluntários da mesma, e redatores de um boletim informativo da entidade.

Minha experiência de vida mostrou-me que o deficiente, para conquistar seu espaço, necessita de contatos com outros deficientes, visitando-se, trocando idéias, participando de tudo o que for possível. Foi vivenciando isso que consegui me realizar em muitos campos, e na FCD obtive uma "energia especial" para chegar aonde estou.

Antonio Carlos da Costa, deficiente físico, professor de violão - Botucatu - SP


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