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A 37ª Sessão Plenária Especial sobre Deficiência da Assembléia Geral da Organização
das Nações Unidas, realizada em 14 de outubro de 1992, em comemoração ao término
da Década, adotou o dia 3 de dezembro como Dia Internacional das Pessoas com
Deficiência, por meio da resolução A/RES/47/3. Com este ato, a Assembléia considera que ainda falta muito para se resolver os problemas dos deficientes, que não pode ser deixado de lado pelas Nações Unidas.
A data escolhida coincide com o dia da adoção do Programa de Ação Mundial para as Pessoas com Deficiência pela Assembléia Geral da ONU, em 1982. As entidades mundiais da área esperam que com a criação do Dia Internacional todos os países passem a comemorar a data, gerando conscientização, compromisso e ações que transformem a situação dos deficientes no mundo. O sucesso da iniciativa vai depender diretamente do envolvimento da comunidade de portadores de deficiência que devem estabelecer estratégias para manter o tema em evidência. Um dia para
promover os Direitos Humanos de todas as pessoas portadoras de deficiência Este
documento foi preparado por Agnes Fletcher, publicado originalmente
em inglês por Disability Awareness in Action/Disabled Peoples’ Internacional.
A edição em português foi traduzida por Romeu Kazumi Sassaki e publicada
pelo PRODEF-Programa de Atendimento aos Portadores de Deficiência, Secretaria
Municipal de Assistência Social, da cidade de São Paulo e pela APADE-Associação
de Pais e Amigos de Portadores de Deficiência. O
nosso Dia Esse documento foi projetado para dar apoio ao trabalho das organizações
das pessoas deficientes na observância e celebração do Dia Internacional.
Este é o Nosso Dia e podemos utilizá-lo para promover nossas organizações e os direitos das
pessoas com deficiência no mundo inteiro – nos níveis local, nacional,
regional e internacional. Ele pode ser também uma oportunidade para
estimular debate sobre os assuntos de deficiência em geral e tornar
públicos os programas, as políticas e as leis boas e más. Nós
temos valor Muitos de nós ouviram durante anos que as nossas vidas têm pouco valor.
Mas a verdade é que as nossas necessidades são importantes, as nossas
habilidades e experiências são de enorme valor para a comunidade, a
sociedade, o mundo. ·
envolver as pessoas com deficiência
e suas organizações. ·
celebrar nossa experiência e perícia. ·
conscientizar sobre assuntos de deficiência. ·
promover os direitos humanos de todas
as pessoas portadoras de deficiência. ·
conquistar oportunidades iguais às de
pessoas não portadoras de deficiência. ·
garantir que pessoas com deficiência
possam participar plenamente da vida da comunidade. ·
assegurar que pessoas deficientes tenham
voz em programas e políticas que afetam nossa vida. ·
eliminar a violação de nossos direitos
humanos. Acesso – à moradia
decente e pagável e a todos os novos edifícios e recintos públicos e
também a alterações feitas durante a reforma de edifícios antigos. Transporte – cujos serviços sejam acessíveis a todas as pessoas e não uma medida separada. Educação – que seja integrada e com apoio, se necessário. Emprego - acessível e com igualdade de remuneração e condições. Informação – disponível também em meios de comunicação acessíveis a pessoas com deficiência
visual ou auditiva. Influência – sobre programas e políticas que nos afetam. LEMBRETE O QUE É A DEFICIÊNCIA? Explicações sobre a deficiência Enfatizando
direitos, não a caridade ·
a deficiência é uma questão de direitos
humanos. ·
as violações contra os direitos humanos
das pessoas deficientes ocorrem diariamente em todos os países do mundo. ·
estas violações estão institucionalizadas
nos sistemas administrativos de cada país. Vocês encontrarão, aqui neste documento, alguns fatos e números sobre a
natureza global da deficiência e alguns exemplos específicos de violação
ocorridos em diversos países. Cabe à organização
onde vocês atuam identificar as violações específicas com que se defrontam
os membros e fazer com que a comunidade inteira conheça essas violações. OS NOSSOS DIREITOS HUMANOS Os direitos humanos incluem direitos
civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e de desenvolvimento.
·
à vida ·
à liberdade de expressão
·
a um julgamento justo ·
à proteção contra
tortura e violência Os direitos econômicos, sociais e culturais incluem os direitos: ·
ao trabalho em condições
justas e favoráveis ·
à proteção social ·
a um adequado padrão
de vida ·
aos padrões mais
altos possíveis de saúde física e mental ·
à educação ·
ao usufruto dos benefícios
da liberdade cultura e do progresso científico · ao desenvolvimento · à autonomia econômica · à paz e segurança Precisamos
fazer com que eles sejam respeitados. (Lema da Conferência
Mundial de Direitos Humanos, Viena, Áustria, junho de 1993). ·
Declaração dos Direitos das Pessoas
com Deficiência Mental (ONU) ·
Declaração dos Direitos das Pessoas
Deficientes (ONU) ·
Programa Mundial de Ação relativo a
Pessoas com Deficiência (ONU) As duas declarações
definem os nossos direitos: ·
de desfrutar uma
vida decente, com a nossa dignidade respeitada ·
ao tratamento médico,
psicológico e funcional. ·
à reabilitação física
e social, educação, treinamento e reabilitação profissionais, aparelhos,
aconselhamento, serviço de colocação e outros serviços que nos possibilitem
desenvolver ao máximo nossas capacidades e habilidades e acelerem o
processo de nossa integração ou reintegração social. ·
à segurança econômica
e social e a um nível de vida decente. ·
ao emprego ou ocupação
produtiva e filiação a sindicatos de trabalhadores. ·
de ter necessidades
consideradas em todas as etapas do planejamento econômico e social. ·
de viver com nossas
famílias e participar em todas as atividades sociais, criativas e recreativas. ·
à proteção contra
qualquer exploração e todo tratamento discriminatório, abusivo ou degradante. O Programa
Mundial de Ações relativo a Pessoas com Deficiência é o documento da
ONU sobre política na questão da deficiência. Os efeitos do Programa Mundial de Ação são: ·
a prevenção de impedimentos
evitáveis. ·
a reabilitação para
possibilitar que as pessoas deficientes façam o mais possível. ·
a equiparação de
oportunidades PASSANDO PARA AÇÃO Conscientizando o público O objetivo principal do Dia Internacional é o de conscientizar a população a respeito das questões relacionadas
à deficiência. Uma das maneiras
mais simples de fazer isso consiste em falar com as pessoas. Conversando
com alguém sobre vocês – o seu dia-a-dia, os seus pensamentos e sentimentos
– vocês facilitam a compreensão dele a seu respeito. Se cada um de nós
falar às pessoas a respeito de como a sociedade nos incapacita, nós
poderemos avançar muito na direção da conscientização e da mudança de
atitudes sobre a deficiência. Mudando
as atitudes Para ajudar a mudar atitudes, é também importante juntarmo-nos a outras
pessoas deficientes. Organizando eventos aos quais a comunidade local
seja convidada, apareceremos como participantes ativos na sociedade
— com idéias, habilidades, necessidades e direitos. Direitos,
sim; caridade, não É muito importante certificarmo-nos de que o nosso Dia não seja utilizado como uma ocasião que reforce
estereótipos tradicionais (pessoas deficientes tidas como passivos alvos
da caridade e da ajuda). Muitos de nós estamos habituados a ter a maior
parte de nossa vida controlada por outras pessoas. Precisamos não permitir
que isso continue assim. Nós precisamos assumir o controle do nosso
Dia. Apenas as pessoas portadoras de deficiência devem decidir como
celebrar o Dia Internacional. Organizações não governamentais internacionais
concordaram que a ênfase do Dia Internacional deva ser em direitos
humanos, não em caridade, e isso foi apoiado em resolução da ONU. O
que fazer PLANO
DE AÇÃO Juntem-se
a outras pessoas com deficiência. Evolvam formuladores de políticas,
profissionais e a mídia.
Tornem
públicas as questões e soluções relativas a deficiência Apontem
como as mudanças beneficiarão a todos. Sugestões Arranjem para que programas de rádio locais, com perguntas ao vivo pelo
telefone, estimulem a comunidade a debater sobre as questões da deficiência,
mudar visões estereotipadas sobre pessoas deficientes e promover soluções
que beneficiem a todos. Talvez vocês possam conseguir, a preço reduzido ou sem custo, um anúncio
sobre o Dia Internacional em jornais locais.
QUE TAL O TEMPO Em algumas partes do mundo, o dia 3 de dezembro será provavelmente um bom
dia para as pessoas estarem ao ar livre. Em outras partes, contudo,
o dia poderá ser muito quente ou muito cinzento, frio, chuvoso ou com
muita neve. É importante pensar sobre isso quando planejar eventos. Se for inconveniente
levar o público à rua devido à temperatura, então um evento abrigado
será melhor. Pois é mais provável que as pessoas compareçam a uma reunião
pública em recinto interno, talvez com bebidas quentes ou algo
parecido. REALIZAÇÃO DE EVENTOS Líderes Existem muitos eventos diferentes que podem divulgar o trabalho e comemorar
o Dia Internacional – reuniões comunitárias, debates, desfiles, tribunais
em recintos públicos, concertos, eventos desportivos e artísticos integrados,
vigílias. Se vocês forem organizar um evento, convidem um líder ou celebridade local
para fazer a abertura oficial na condição de convidado de honra. Isto
fará com que muitas pessoas se interessem pelo evento. Assim é mais
provável que vocês conseguiram cobertura da mídia. Leituras
públicas Vocês poderiam organizar uma sessão de leitura pública (simultaneamente
com interpretação na língua de sinais) a ser feita por pessoas deficientes
a respeito de experiências de vida, complementando o evento com exibição
de filmes e vídeos. Dentre as pessoas que irão ler, devem ser incluídos
homens e mulheres de diferentes idades, raças e tipos de deficiência. Compromisso
político e apoio comunitário Antes de convidar oficialmente o governador ou prefeito para assinar a moção,
conversem com secretários estaduais ou municipais e funcionários públicos
de alto escalão a fim de conseguir o apoio deles. Qualquer carta dirigida
ao governador ou ao prefeito passa primeiro por funcionários de primeiro
escalão. Informem
essas autoridades que outros governadores e prefeitos de outras partes
do mundo assinaram moções semelhantes e que haverá reconhecimento internacional
da assinatura deles na Assembléia Geral da Nações Unidas. Vocês podem fazer uma demonstração pública das suas opiniões sobre a questão
da deficiência para marcar o Dia Internacional. Ela pode consistir de
uma passeata ao longo de uma avenida principal da cidade, ostentando
faixas e bandeiras feitas em casa para que os transeuntes possam ver
quais são as questões. Este tipo de ato precisa ser cuidadosamente planejado
para que ocorra bem e com segurança. Vocês necessitam: ·
considerar se este
ato é apropriado. ·
informar as autoridades. ·
planejar o evento
cuidadosamente. ·
conseguir que algumas
pessoas com deficiência atuem como organizadores do ato. SUGESTÕES
DE EVENTOS
·
Teatro de rua focalizando temas de deficiência. ·
Comes e bebes com debates sobre os temas. ·
Exposições de obras artísticas produzidas por
pessoas deficientes. ·
Competições sobre acessibilidade com prêmios
para melhor ou pior. ·
Conferências e workshop para a mídia ou o público. ·
Dias de solidariedade com outros grupos religiosos,
políticos ou comunitários. ·
Competição para crianças sobre moradias acessíveis
sobre, por exemplo, quem constrói a rampa
mais simples? ·
Dias de integração, com crianças de uma escola
comum que visitam uma escola especial. ·
Eventos integrados inserindo esporte ou dança.
Publicidade Qualquer que seja o evento, a publicidade
é vital para que as pessoas portadoras de deficiência e outras saibam o que está acontecendo Elaborem folhetos
com a programação do evento e distribuam cópias em locais onde as pessoas
deficientes possam vê-las.
Escrevam uma
carta para a coluna de leitores de jornais locais convidando pessoas
deficientes a comparecerem ao evento.
Anunciem o
evento nas emissoras de rádio locais.
USANDO
A MÍDIA O poder da mídia Uma das formas
mais rápidas e eficazes de conscientizar as pessoas sobre a questão
da deficiência é a mídia. Através de jornais, revistas, rádio e televisão,
nós podemos fazer com que as pessoas saibam a respeito desta questão,
do Dia Internacional e de nossos eventos.
Tentem saber
quem é quem na mídia, lendo jornais, ouvindo programas de rádio, perguntando
às pessoas.
Procurem identificar
quais jornalistas e produtores de programas vocês poderiam abordar.
Enviem press releases (materiais e boletins informativos) para jornais e
emissoras de rádio e televisão, fazendo-os chegar pelo menos três dias
(mas de preferência uma semana antes do evento planejado). Certifique-se
de que a mídia compreende a importância do Dia Internacional e de que
o Dia foi proclamado pela ONU e está sendo celebrado em todo o mundo.
O Dia Internacional não consta ainda do calendário regular de eventos,
calendário esse que ajuda os profissionais da mídia a planejar matérias
ao longo do ano. Portanto, precisamos envidar um grande esforço nos
primeiros anos para implementar o Dia.
Histórias locais para a mídia local Se vocês estão
concentrados na mídia local, forneçam aos jornalistas de rádio, televisão
e imprensa escrita casos de discriminação ocorridos localmente. Por
exemplo, lojas inacessíveis, pessoas impedidas de entrarem em restaurantes,
cinemas, empregos e escolas. Uma história pessoal sempre sensibiliza
a mídia.
Contudo,
devemos relembrar que as imagens estereotipadas tradicionais a respeito
da pessoa deficiente têm sido uma importante barreira contra a compreensão
das questões da deficiência por parte do grande público e dos formuladores
de políticas. LEMBRETE
Transformem
em temas os obstáculos e discriminações que as pessoas com deficiência
enfrentam no dia-a-dia: barreiras arquitetônicas e de comunicação e
atitudes da sociedade para com as deficiências. Direitos, não a caridade, Respeito,
não a piedade. Palavras e fotos: imagens
da deficiência Surgiram
estas diretrizes aos profissionais da mídia:
ACESSO À INFORMAÇÃO E AO MEIO FÍSICO
Mídia alternativa
Procurem assegurar-se
de que todas as publicações e apresentações relativas ao Dia Internacional
estejam disponíveis a toda a população —incluindo pessoas com deficiência
visual, auditiva ou mental. O material
escrito deve estar disponível em: Palavra falada Quando falarem
com alguém que tenha deficiência auditiva: ·
Fiquem
de frente para ele enquanto falam. ·
Não cubram
sua boca com as mãos. ·
Falem
com clareza, nem muito vagarosamente nem muito rapidamente. Certifique-se
de que a iluminação é suficiente para que os rostos de oradores e intérpretes
possam ser vistos.
Acesso ao meio físico Considerem
o acesso físico. Vocês necessitam rampas? Os sanitários são acessíveis?
Alguém tem qualquer outra necessidade, por exemplo, uma tomada para
o aparelho de respirar?
É importante que a sua organização
defina as violações.
Se um usuário de cadeira de rodas
deseja comparecer a um evento público (social, cultural ou político)
e ele não puder adentrar o local do evento porque o edifício não é acessível,
um direito dele enquanto cidadão foi violado.
Uma pessoa cega, interessada em
participar de um debate público mas sem acesso visual a um jornal no
qual se baseiam as discussões, está em situação semelhante. A institucionalização é uma das
formas mais graves e comuns de exclusão e violação. A liberdade de associação
fica limitada. A privacidade não existe. Freqüentemente as pessoas são
impedidas de casar, ter filhos e votar. Em muitos casos, a institucionalização,
nas palavras de muitos documentos internacionais de direitos humanos,
configura um “tratamento cruel, desumano e degradante”.
Áreas para serem checadas:
Moradia.
Existem casos acessíveis em quantidade suficiente? Transporte.
As pessoas deficientes conseguem entrar nos veículos e instalar-se livremente? Educação.
Todas as escolas locais são acessíveis? Emprego.
Os principais locais de trabalho são acessíveis? Como são as atitudes dos empregadores?
Os salários são os mesmos dos trabalhadores não deficientes? Edifícios
públicos. São acessíveis os prédios municipais, restaurantes,
cinemas, teatro, bibliotecas, hotéis e recintos desportivos? Atitudes.
O que os lojistas locais, lideres religiosos, crianças, professores,
políticos e profissionais da mídia pensam sobre pessoas deficientes?
Como eles definem a deficiência?
É
importante conhecer a situação antes de tentar mudar as coisas. Quanto
mais vocês puderem descobrir – fatos e números – melhor para suas campanhas.
Existem 500 milhões de pessoas deficientes
no mundo – um décimo da raça humana. E 80% das pessoas com deficiência
vivem em países em desenvolvimento. Um terço desses 80% é composto de
crianças. Nos países em desenvolvimento, 80% das pessoas portadoras
de deficiência vivem em zonas rurais.
Em todas as partes, pessoas deficientes
estão entre os mais pobres dos pobres. A elas são negados o acesso a
edifícios, a informação, a independência, oportunidades, a escolha de
opções e o controle sobre a própria vida.
Estima-se que está entre 85 a 114
milhões o número de mulheres e meninas submetidas à mutilação genital,
o que pode levar à deficiências severas, à infertilidade e até a morte.
A cada dia, pelo menos 6.000 meninas correm esse risco.
·
Pelo menos um terço de todas as deficiências
poderia ter sido evitado ou curado.
·
300.000 crianças ainda são atingidas pela pólio
a cada ano.
·
A desnutrição causa deficiência em 1 milhão
de pessoas por ano.
IDÉIAS PRÁTICAS EM APOIO AO
3 DE DEZEMBRO:
Definindo violações de direitos humanos
Lista de checagem sobre acessibilidade
Saber é poder
Visão global
Prevenção