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A 37ª Sessão Plenária Especial sobre Deficiência da Assembléia Geral da Organização
das Nações Unidas, realizada em 14 de outubro de 1992, em comemoração ao término
da Década, adotou o dia 3 de dezembro como Dia Internacional das Pessoas com
Deficiência, por meio da resolução A/RES/47/3. Com este ato, a Assembléia considera que ainda falta muito para se resolver os problemas dos deficientes, que não pode ser deixado de lado pelas Nações Unidas.
A data escolhida coincide com o dia da adoção do Programa de Ação Mundial para as Pessoas com Deficiência pela Assembléia Geral da ONU, em 1982. As entidades mundiais da área esperam que com a criação do Dia Internacional todos os países passem a comemorar a data, gerando conscientização, compromisso e ações que transformem a situação dos deficientes no mundo. O sucesso da iniciativa vai depender diretamente do envolvimento da comunidade de portadores de deficiência que devem estabelecer estratégias para manter o tema em evidência.
IDÉIAS PRÁTICAS EM APOIO AO
3 DE DEZEMBRO:
DIA INTERNACIONAL DAS PESSOAS
COM DEFICIÊNCIA
|
Um dia para
promover os Direitos Humanos de todas as pessoas portadoras de deficiência Este documento foi preparado por Agnes
Fletcher, publicado originalmente em inglês por Disability Awareness
in Action/Disabled Peoples’ Internacional. A edição em português foi
traduzida por Romeu Kazumi Sassaki e publicada pelo PRODEF-Programa
de Atendimento aos Portadores de Deficiência, Secretaria Municipal de
Assistência Social, da cidade de São Paulo e pela APADE-Associação de
Pais e Amigos de Portadores de Deficiência. Do que se trata Na Sessão Plenária Especial da Assembléia Geral das Nações Unidas para Pessoas com Deficiência (1983-1992), foi aprovada uma resolução que declara o dia 3 de dezembro de cada ano como o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. “Apela a todos
os Países - Membros que enfatizem a observância do Dia Internacional
(...) a fim de que as pessoas com deficiência desfrutem plena e igualmente
dos direitos humanos e participem na sociedade (...)” O nosso Dia Esse documento foi projetado para dar apoio ao trabalho das organizações
das pessoas deficientes na observância e celebração do Dia Internacional.
Este é o Nosso Dia e podemos utilizá-lo para promover nossas organizações e os direitos das
pessoas com deficiência no mundo inteiro – nos níveis local, nacional,
regional e internacional. Ele pode ser também uma oportunidade para
estimular debate sobre os assuntos de deficiência em geral e tornar
públicos os programas, as políticas e as leis boas e más. Nós
temos valor Muitos de nós ouviram durante anos que as nossas vidas têm pouco valor.
Mas a verdade é que as nossas necessidades são importantes, as nossas
habilidades e experiências são de enorme valor para a comunidade, a
sociedade, o mundo. Nós temos
direitos, necessidades e habilidades como quaisquer outras pessoas. Daqui para frente nós teremos o nosso Dia Internacional todos os anos para
falarmos ao mundo sobre esses direitos, necessidades e habilidades e
assegurarmo-nos de que eles serão respeitados. Quais
são os objetivos do Dia Internacional Os eventos para marcar o Dia Internacional devem: ·
envolver as pessoas com deficiência
e suas organizações. ·
celebrar nossa experiência e perícia. ·
conscientizar sobre assuntos de deficiência. ·
promover os direitos humanos de todas
as pessoas portadoras de deficiência. Os objetivos de longo prazo incluem: ·
conquistar oportunidades iguais às de
pessoas não portadoras de deficiência. ·
garantir que pessoas com deficiência
possam participar plenamente da vida da comunidade. ·
assegurar que pessoas deficientes tenham
voz em programas e políticas que afetam nossa vida. ·
eliminar a violação de nossos direitos
humanos. Questões
Eis algumas das questões nas quais devemos nos concentrar: Reabilitação
– que seja adequada às nossas
necessidades e que garanta participação e independência. Acesso – à moradia
decente e pagável e a todos os novos edifícios e recintos públicos e
também a alterações feitas durante a reforma de edifícios antigos. Transporte – cujos serviços sejam acessíveis a todas as pessoas e não uma medida separada. Educação – que seja integrada e com apoio, se necessário. Emprego - acessível e com igualdade de remuneração e condições. Informação – disponível também em meios de comunicação acessíveis a pessoas com deficiência
visual ou auditiva. Influência – sobre programas e políticas que nos afetam. Juntos
somos fortes LEMBRETE Sozinho, ninguém
consegue mudar muita coisa. Juntando-nos em organizações e apresentando-nos
como membros fortes e contribuintes na comunidade e possuidores de necessidades
e habilidades e direitos, nós – as pessoas com deficiência – podemos
influenciar a sociedade em que vivemos. O QUE É A DEFICIÊNCIA? Explicações sobre a deficiência Em todo o mundo, as pessoas deficientes estão entre os mais pobres dos pobres,
vivendo vidas de desvantagem e privação. Por quê? Tradicionalmente, a deficiência tem sido
vista como um “problema” do indivíduo e, por isso, o próprio indivíduo
teria que se adaptar à sociedade ou ele teria que ser mudado por profissionais
através da reabilitação ou cura. Hoje, as pessoas portadoras de deficiência e suas organizações descrevem,
a partir de suas experiências, como as barreiras econômicas e sociais
têm obstruído a participação plena das pessoas portadoras de deficiência
na sociedade. Estas barreiras estão espalhadas a tal ponto que nos impedem de garantir
uma boa qualidade de vida para nós mesmos. Esta explicação é conhecida como o modelo social
da deficiência, porque focaliza
os ambientes e barreiras incapacitantes da sociedade e não as pessoas
deficientes. O modelo social foi formulado por pessoas com deficiência
e agora vem sendo aceito também por profissionais não-deficientes. Ele
enfatiza os direitos humanos e a equiparação de oportunidades. Promover esta
forma de pensamento sobre a deficiência é o que pretende o Dia Internacional. Encontrando
soluções O novo desafio consiste em que pessoas deficientes e formuladores de políticas
compartilhem suas perícias e decidam sobre soluções alternativas para
o “problema” da deficiência, soluções estas baseadas na remoção das
barreiras da sociedade e na plena integração e que ensejem às pessoas
com deficiência uma participação plena e igualitária na sociedade. Enfatizando
direitos, não a caridade Existem ainda muitas pessoas que não entendem que: ·
a deficiência é uma questão de direitos
humanos. ·
as violações contra os direitos humanos
das pessoas deficientes ocorrem diariamente em todos os países do mundo. ·
estas violações estão institucionalizadas
nos sistemas administrativos de cada país. Vocês encontrarão, aqui neste documento, alguns fatos e números sobre a
natureza global da deficiência e alguns exemplos específicos de violação
ocorridos em diversos países. Cabe à organização
onde vocês atuam identificar as violações específicas com que se defrontam
os membros e fazer com que a comunidade inteira conheça essas violações. OS NOSSOS DIREITOS HUMANOS Os direitos humanos incluem direitos
civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e de desenvolvimento.
Os direitos
civis e políticos incluem os direitos: ·
à vida ·
à liberdade de expressão
·
a um julgamento justo ·
à proteção contra
tortura e violência Os direitos econômicos, sociais e culturais incluem os direitos: ·
ao trabalho em condições
justas e favoráveis ·
à proteção social ·
a um adequado padrão
de vida ·
aos padrões mais
altos possíveis de saúde física e mental ·
à educação ·
ao usufruto dos benefícios
da liberdade cultura e do progresso científico Os direitos de desenvolvimento são os direitos das nações: · ao desenvolvimento · à autonomia econômica · à paz e segurança Estes direitos acham-se definidos em muitos documentos internacionais de
direitos humanos. Eles se aplicam a todos os indivíduos, independentemente
de sexo, raça, língua, religião ou deficiência física, mental, sensorial,
etc). Estes são
os nossos direitos. Precisamos
fazer com que eles sejam respeitados. Direitos Humanos. Conheça-os. Exija-os. (Lema da Conferência
Mundial de Direitos Humanos, Viena, Áustria, junho de 1993). Existem vários documentos internacionais específicos para pessoas deficientes: ·
Declaração dos Direitos das Pessoas
com Deficiência Mental (ONU) ·
Declaração dos Direitos das Pessoas
Deficientes (ONU) ·
Programa Mundial de Ação relativo a
Pessoas com Deficiência (ONU) As duas declarações
definem os nossos direitos: ·
de desfrutar uma
vida decente, com a nossa dignidade respeitada ·
ao tratamento médico,
psicológico e funcional. ·
à reabilitação física
e social, educação, treinamento e reabilitação profissionais, aparelhos,
aconselhamento, serviço de colocação e outros serviços que nos possibilitem
desenvolver ao máximo nossas capacidades e habilidades e acelerem o
processo de nossa integração ou reintegração social. ·
à segurança econômica
e social e a um nível de vida decente. ·
ao emprego ou ocupação
produtiva e filiação a sindicatos de trabalhadores. ·
de ter necessidades
consideradas em todas as etapas do planejamento econômico e social. ·
de viver com nossas
famílias e participar em todas as atividades sociais, criativas e recreativas. ·
à proteção contra
qualquer exploração e todo tratamento discriminatório, abusivo ou degradante. O Programa
Mundial de Ações relativo a Pessoas com Deficiência é o documento da
ONU sobre política na questão da deficiência. Os efeitos do Programa Mundial de Ação são: ·
a prevenção de impedimentos
evitáveis. ·
a reabilitação para
possibilitar que as pessoas deficientes façam o mais possível. ·
a equiparação de
oportunidades PASSANDO PARA AÇÃO Conscientizando o público O objetivo principal do Dia Internacional é o de conscientizar a população a respeito das questões relacionadas
à deficiência. Uma das maneiras
mais simples de fazer isso consiste em falar com as pessoas. Conversando
com alguém sobre vocês – o seu dia-a-dia, os seus pensamentos e sentimentos
– vocês facilitam a compreensão dele a seu respeito. Se cada um de nós
falar às pessoas a respeito de como a sociedade nos incapacita, nós
poderemos avançar muito na direção da conscientização e da mudança de
atitudes sobre a deficiência. Mudando
as atitudes Para ajudar a mudar atitudes, é também importante juntarmo-nos a outras
pessoas deficientes. Organizando eventos aos quais a comunidade local
seja convidada, apareceremos como participantes ativos na sociedade
— com idéias, habilidades, necessidades e direitos. Direitos,
sim; caridade, não É muito importante certificarmo-nos de que o nosso Dia não seja utilizado como uma ocasião que reforce
estereótipos tradicionais (pessoas deficientes tidas como passivos alvos
da caridade e da ajuda). Muitos de nós estamos habituados a ter a maior
parte de nossa vida controlada por outras pessoas. Precisamos não permitir
que isso continue assim. Nós precisamos assumir o controle do nosso
Dia. Apenas as pessoas portadoras de deficiência devem decidir como
celebrar o Dia Internacional. Organizações não governamentais internacionais
concordaram que a ênfase do Dia Internacional deva ser em direitos
humanos, não em caridade, e isso foi apoiado em resolução da ONU. O
que fazer PLANO
DE AÇÃO
Juntem-se
a outras pessoas com deficiência. Evolvam formuladores de políticas,
profissionais e a mídia. Tornem
públicas as questões e soluções relativas a deficiência Apontem
como as mudanças beneficiarão a todos. Sugestões Arranjem para que programas de rádio locais, com perguntas ao vivo pelo
telefone, estimulem a comunidade a debater sobre as questões da deficiência,
mudar visões estereotipadas sobre pessoas deficientes e promover soluções
que beneficiem a todos. Programas de TV, tais como os noticiários e os talk shows, poderiam ser apresentados por pessoa deficiente, no próprio
Dia. Pequenas alterações na rotina podem ter um imenso impacto. Poderia uma autoridade local encomendar um trabalho artístico de uma pessoa
deficiente para celebrar o Dia? Que tal umas preleções a cargo de pessoas deficientes em locais religiosos
na semana do dia 3 de dezembro? Anunciem uma vigília de 24 horas (encontro para meditação em ambiente calmo
e silencioso) dentro de um edifício público. Convidem o povo a comparecer
e lá permanecer por algumas horas e talvez assinar uma Moção de Compromisso ao Programa Mundial de Ação relativo a Pessoa com Deficiência. (Peçam um
exemplar da moção à Disability Awareness in Action (DAA), 11 Belgrave
Road, London SW1V 1RB, Grã-Betanha) Talvez vocês possam conseguir, a preço reduzido ou sem custo, um anúncio
sobre o Dia Internacional em jornais locais.
Em algumas partes do mundo, o dia 3 de dezembro será provavelmente um bom
dia para as pessoas estarem ao ar livre. Em outras partes, contudo,
o dia poderá ser muito quente ou muito cinzento, frio, chuvoso ou com
muita neve. É importante pensar sobre isso quando planejar eventos. Se for inconveniente
levar o público à rua devido à temperatura, então um evento abrigado
será melhor. Pois é mais provável que as pessoas compareçam a uma reunião
pública em recinto interno, talvez com bebidas quentes ou algo
parecido. REALIZAÇÃO DE EVENTOS Líderes Existem muitos eventos diferentes que podem divulgar o trabalho e comemorar
o Dia Internacional – reuniões comunitárias, debates, desfiles, tribunais
em recintos públicos, concertos, eventos desportivos e artísticos integrados,
vigílias. Se vocês forem organizar um evento, convidem um líder ou celebridade local
para fazer a abertura oficial na condição de convidado de honra. Isto
fará com que muitas pessoas se interessem pelo evento. Assim é mais
provável que vocês conseguiram cobertura da mídia. Leituras
públicas Vocês poderiam organizar uma sessão de leitura pública (simultaneamente
com interpretação na língua de sinais) a ser feita por pessoas deficientes
a respeito de experiências de vida, complementando o evento com exibição
de filmes e vídeos. Dentre as pessoas que irão ler, devem ser incluídos
homens e mulheres de diferentes idades, raças e tipos de deficiência. Compromisso
político e apoio comunitário Vocês podiam solicitar ao governador ou prefeito para assinar uma Moção de Compromisso ao Programa Mundial de Ação
relativo a Pessoas com Deficiência (Um exemplar está disponível na DAA e na Disabled People International).
Isto poderia ser combinado com uma vigília durante a qual a população
da sua comunidade compareceria e assinaria a Moção de Compromisso.
Antes de convidar oficialmente o governador ou prefeito para assinar a moção,
conversem com secretários estaduais ou municipais e funcionários públicos
de alto escalão a fim de conseguir o apoio deles. Qualquer carta dirigida
ao governador ou ao prefeito passa primeiro por funcionários de primeiro
escalão. Informem
essas autoridades que outros governadores e prefeitos de outras partes
do mundo assinaram moções semelhantes e que haverá reconhecimento internacional
da assinatura deles na Assembléia Geral da Nações Unidas. Demonstrações
públicas Vocês podem fazer uma demonstração pública das suas opiniões sobre a questão
da deficiência para marcar o Dia Internacional. Ela pode consistir de
uma passeata ao longo de uma avenida principal da cidade, ostentando
faixas e bandeiras feitas em casa para que os transeuntes possam ver
quais são as questões. Este tipo de ato precisa ser cuidadosamente planejado
para que ocorra bem e com segurança. Vocês necessitam: ·
considerar se este
ato é apropriado. ·
informar as autoridades. ·
planejar o evento
cuidadosamente. ·
conseguir que algumas
pessoas com deficiência atuem como organizadores do ato. Idéias SUGESTÕES DE EVENTOS · Teatro de rua focalizando temas de deficiência. · Comes e bebes com debates sobre os temas. · Exposições de obras artísticas produzidas por pessoas deficientes. · Competições sobre acessibilidade com prêmios para melhor ou pior. · Conferências e workshop para a mídia ou o público. · Dias de solidariedade com outros grupos religiosos, políticos ou comunitários. · Competição para crianças sobre moradias acessíveis sobre, por exemplo, quem constrói a rampa mais simples? · Dias de integração, com crianças de uma escola comum que visitam uma escola especial. · Eventos integrados inserindo esporte ou dança. Publicidade Qualquer que seja o evento, a publicidade
é vital para que as pessoas portadoras de deficiência e outras saibam o que está acontecendo Elaborem folhetos com a programação do evento e distribuam cópias em locais onde as pessoas deficientes possam vê-las. Escrevam uma carta para a coluna de leitores de jornais locais convidando pessoas deficientes a comparecerem ao evento. Anunciem o evento nas emissoras de rádio locais. USANDO
A MÍDIA O poder da mídia Uma das formas mais rápidas e eficazes de conscientizar as pessoas sobre a questão da deficiência é a mídia. Através de jornais, revistas, rádio e televisão, nós podemos fazer com que as pessoas saibam a respeito desta questão, do Dia Internacional e de nossos eventos. Tentem saber quem é quem na mídia, lendo jornais, ouvindo programas de rádio, perguntando às pessoas. Procurem identificar quais jornalistas e produtores de programas vocês poderiam abordar. Enviem press releases (materiais e boletins informativos) para jornais e emissoras de rádio e televisão, fazendo-os chegar pelo menos três dias (mas de preferência uma semana antes do evento planejado). Certifique-se de que a mídia compreende a importância do Dia Internacional e de que o Dia foi proclamado pela ONU e está sendo celebrado em todo o mundo. O Dia Internacional não consta ainda do calendário regular de eventos, calendário esse que ajuda os profissionais da mídia a planejar matérias ao longo do ano. Portanto, precisamos envidar um grande esforço nos primeiros anos para implementar o Dia. Histórias locais para a mídia local Se vocês estão concentrados na mídia local, forneçam aos jornalistas de rádio, televisão e imprensa escrita casos de discriminação ocorridos localmente. Por exemplo, lojas inacessíveis, pessoas impedidas de entrarem em restaurantes, cinemas, empregos e escolas. Uma história pessoal sempre sensibiliza a mídia. Contudo,
devemos relembrar que as imagens estereotipadas tradicionais a respeito
da pessoa deficiente têm sido uma importante barreira contra a compreensão
das questões da deficiência por parte do grande público e dos formuladores
de políticas. As estruturas e atitudes da sociedade são
o problema LEMBRETE Sempre
que vocês lidarem com jornalistas, estimule-os a focalizar os problemas
e soluções sociais e não os individuais — não nas deficiências e sim
nas barreiras sociais que impossibilitam a participação das pessoas
deficientes. Transformem
em temas os obstáculos e discriminações que as pessoas com deficiência
enfrentam no dia-a-dia: barreiras arquitetônicas e de comunicação e
atitudes da sociedade para com as deficiências. Direitos, não a caridade, Respeito,
não a piedade. Palavras e fotos: imagens
da deficiência
Surgiram
estas diretrizes aos profissionais da mídia: Usem palavras que enfatizem igualdade e participação ativa. Evitem linguagem que nos retrate como indivíduos trágicos ou vítimas dignas de piedade, necessitando caridade e desesperados em busca de cura. As pessoas deficientes devem falar por si mesmas e atuar como apresentadores de programas. Programas de televisão devem ter legendas para alcançar pessoas surdas. Façam com que as mensagens principais sejam audíveis para pessoas com deficiência visual. Mostrem pessoas deficientes portadores de uma ampla gama de interesses, habilidades e estilos de vida. Mostrem homens e mulheres, de todas as idades e características raciais e com deficiências diversas. Não empreguem atores ou atrizes sem deficiência para desempenharem papéis de pessoas deficientes em filmes de cinema ou na televisão. Certifique-se de que as pessoas portadoras de deficiência sejam retratadas da mesma forma que as pessoas não deficientes.
ACESSO À INFORMAÇÃO E AO MEIO FÍSICO Mídia alternativa Procurem assegurar-se de que todas as publicações e apresentações relativas ao Dia Internacional estejam disponíveis a toda a população —incluindo pessoas com deficiência visual, auditiva ou mental. Isto pode tornar-se dispendioso, mas existem maneiras de fazê-lo a custo baixo — emprestando equipamentos, contando com voluntários ou obtendo patrocinadores. Palavra escrita O material escrito deve estar disponível em: Grandes
caracteres. Pelo menos no tamanho 16
ou 18. Em fitas de áudio e vídeo. Quando gravarem, falem clareza. Tentem fazer com que aquilo que vocês disserem fique interessante. Incluam títulos e cabeçalhos, descrevam as imagens e certifiquem-se de que quaisquer números, tais como estatísticas, sejam apresentados com bastante clareza. Em braile. Uma organização de ou para pessoas cegas saberá quem pode fazer isto para vocês. Escrevam em linguagem simples, sem os desnecessários palavreados longos. As imagens também podem ajudar a explicar. Em reuniões ou eventos, apresentem ou distribuam material impresso, mas ao mesmo tempo leiam-no em voz alta. Palavra falada Quando falarem
com alguém que tenha deficiência auditiva: · Fiquem de frente para ele enquanto falam. · Não cubram sua boca com as mãos. ·
Falem
com clareza, nem muito vagarosamente nem muito rapidamente. Se alguma pessoa utiliza a língua de sinais, providenciem um intérprete. Certifique-se de que a iluminação é suficiente para que os rostos de oradores e intérpretes possam ser vistos. Acesso ao meio físico Considerem o acesso físico. Vocês necessitam rampas? Os sanitários são acessíveis? Alguém tem qualquer outra necessidade, por exemplo, uma tomada para o aparelho de respirar? Procurem assegurar-se de que as salas e outros locais de reunião sejam declarados áreas para não fumantes, pelo menos durante o Dia Internacional. Muitas pessoas são seriamente prejudicadas pela fumaça, o que torna mais graves as suas deficiências. Se vocês fumam, lembre-se de que ao fumarem vocês estão excluindo alguém da participação em reuniões. Todos nós sabemos o que isso significa. Talvez uma sala possa ser reservada para os fumantes, se isso for absolutamente necessário. AVALIANDO
VIOLAÇÕES
Definindo violações de direitos humanos É importante que a sua organização defina as violações. Se um usuário de cadeira de rodas deseja comparecer a um evento público (social, cultural ou político) e ele não puder adentrar o local do evento porque o edifício não é acessível, um direito dele enquanto cidadão foi violado. Uma pessoa cega, interessada em participar de um debate público mas sem acesso visual a um jornal no qual se baseiam as discussões, está em situação semelhante. Presos sem cometerem crime nenhum A institucionalização é uma das formas mais graves e comuns de exclusão e violação. A liberdade de associação fica limitada. A privacidade não existe. Freqüentemente as pessoas são impedidas de casar, ter filhos e votar. Em muitos casos, a institucionalização, nas palavras de muitos documentos internacionais de direitos humanos, configura um “tratamento cruel, desumano e degradante”. Lista de checagem sobre acessibilidade Áreas para serem checadas: Moradia. Existem casos acessíveis em quantidade suficiente? Transporte. As pessoas deficientes conseguem entrar nos veículos e instalar-se livremente? Educação. Todas as escolas locais são acessíveis? Emprego. Os principais locais de trabalho são acessíveis? Como são as atitudes dos empregadores? Os salários são os mesmos dos trabalhadores não deficientes? Edifícios públicos. São acessíveis os prédios municipais, restaurantes, cinemas, teatro, bibliotecas, hotéis e recintos desportivos? Atitudes. O que os lojistas locais, lideres religiosos, crianças, professores, políticos e profissionais da mídia pensam sobre pessoas deficientes? Como eles definem a deficiência? Saber é poder É
importante conhecer a situação antes de tentar mudar as coisas. Quanto
mais vocês puderem descobrir – fatos e números – melhor para suas campanhas. EXEMPLOS
DE VIOLAÇÃO
Visão global Existem 500 milhões de pessoas deficientes no mundo – um décimo da raça humana. E 80% das pessoas com deficiência vivem em países em desenvolvimento. Um terço desses 80% é composto de crianças. Nos países em desenvolvimento, 80% das pessoas portadoras de deficiência vivem em zonas rurais. Em todas as partes, pessoas deficientes estão entre os mais pobres dos pobres. A elas são negados o acesso a edifícios, a informação, a independência, oportunidades, a escolha de opções e o controle sobre a própria vida. Estim |